domingo, 25 de setembro de 2016

Vou não voo

Tudo ficou pela metade. Foram meias palavras. Metade silêncio.
Ficou por acabar, os cigarros, o sexo, a garrafa aberta.
O momento foi suspenso e a música pausada. O lábio entreaberto não soube completar a frase, não houve o estalo do beijo, nem as mentiras continuadas. A porta ficou encostada, não trancada.
Eu prendi o ar e flutuei no quarto, achei sua cara metade - meio engraçada meio cansada.

Onde enfiaram o ponto final? Eu não entendo uma vírgula do que acontece nesse lugar e
parei de chorar antes mesmo de começar.
Fui embora mas não soltei sua mão, então

Me ajude a segurar..
dig dig dig iê"🎼

4, 5 e 6

O primeiro pensamento é falso. A intuição é dúvida. 
As palavras são verdadeiras em minha cabeça antes que as diga. 
Nos olhos moram a verdade, se brilhante ou opaca e amarelada, nos olhos a verdade salta. 
Prever seus movimentos não é um desafio. De longe todo mundo é normal. Sinto amor e pena. 

Você percebeu meu transbordar mas só observou como quem vê o mar. Não moveu uma grama de suas pálpebras. Agora me diz que as faíscas vão todas queimar. Eu quero é que se queimem! 
O fruto de sua vaidade nasce da primícia de que
há verdades que na realidade não existem fora de seu dircurso virtual. Onde é que você está afinal? Por que todo esse mistério? Com quem é que lutas ou de quem é que se esconde? 

Guardo um tesouro dentro da boca, enterrado embaixo de cada dente e me sinto contente com o que vou lhe dizer- Só existe você! 
Quem lê e quem escreve é a mesma pessoa.
Escrevo o que te leio escrever com seu corpo. Há parágrafos infinitos de você.
Em si seu dia começa. Em si seu dia acaba
E só há você em tudo, em todos, em todas estas páginas.

domingo, 18 de setembro de 2016

Ao irmão que já partiu


  Respiro fundo. Abril é o mês em que não existo. 
  Abril te trouxe a existência, em abril eu não respiro.
  Respire fundo, sei que dói, é para o seu bem.
  Abril é o mês que você vem.
  Não peço para vir e não pedi para partir. 
  O ato de se soltar da partícula. O átomo que se despede da vida.
  Quatorze anos de vida não é viver e para me ver, te peço- respire.
  Abril se fecha, retorno a existência, sem pressa, volto a respirar
  Você para. Eu piro, Me fere. Me viro.

 Respiro sem você todos os dias da minha vida.
 Trágica e bela! Autônoma e indomável vida.
 Por você estico meus alvéolos, por você- sístole/diástole
 Por você respiro fundo e grito. Brava e retumbante, triste, inconformada.
 Grito por que sou teu eco. 
 Já que não respira, inspira em mim essa poesia.