domingo, 18 de setembro de 2016

Ao irmão que já partiu


  Respiro fundo. Abril é o mês em que não existo. 
  Abril te trouxe a existência, em abril eu não respiro.
  Respire fundo, sei que dói, é para o seu bem.
  Abril é o mês que você vem.
  Não peço para vir e não pedi para partir. 
  O ato de se soltar da partícula. O átomo que se despede da vida.
  Quatorze anos de vida não é viver e para me ver, te peço- respire.
  Abril se fecha, retorno a existência, sem pressa, volto a respirar
  Você para. Eu piro, Me fere. Me viro.

 Respiro sem você todos os dias da minha vida.
 Trágica e bela! Autônoma e indomável vida.
 Por você estico meus alvéolos, por você- sístole/diástole
 Por você respiro fundo e grito. Brava e retumbante, triste, inconformada.
 Grito por que sou teu eco. 
 Já que não respira, inspira em mim essa poesia.

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